28 de fevereiro de 2011

Brasil é terceiro com mais projetos para mercado de carbono, diz Ipea

País fica atrás de China e Índia e tem 50% dos projetos na área de energia. Situação de coleta de resíduos sólidos é 'preocupante', segundo relatório
Estudo divulgado nessa quarta-feira (23) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que a participação brasileira no mercado de carbono mundial tem característica limitada e ocupa o terceiro lugar em número de projetos, com 13% do total. O setor é liderado por China (31%) e Índia (21%), considerando valores válidos para 2008.
Segundo o comunicado, a atuação brasileira no mercado de carbono tem se limitado a projetos aplicados via Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), fruto de acordos firmados no Protocolo de Kyoto e por meio do qual países do Anexo I podem compensar suas emissões de gases causadores do efeito estufa comprando créditos de outros países.
Projetos que reduzem a emissão de gases no Brasil têm se concentrado no setor energético, com a participação de 50% do total, de acordo com o Ipea. O setor de suinocultura responde por 15% do total, seguido por projetos de troca de combustível fóssil, com 13%.

"O exemplo brasileiro mais marcante é o aumento de produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, em particular na indústria da cana de açúcar, em que tem havido um aumento significativo na eficiência do resíduo de bagaço. Este setor tem se beneficiado de créditos de carbono", aponta o relatório do Ipea.

Enquanto no período 2002-2003, a América Latina apresentou uma participação de 40%
na oferta total de carbono gerada por projetos, e a Ásia, 21%; no período seguinte, 2003-2004, esta posição de liderança já tinha se invertido. Nesse último, o continente asiático respondeu por 51% da oferta total de carbono via projetos, superando o latin-americano com 27% desta oferta (BIRD, 2005).

Ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, o Ipea alerta, porém, que a falta de investimentos no setor ainda deixa dúvidas sobre o futuro do mercado de carbono no país. Segundo o estudo, há "pouco estímulo à utilização de novas tecnologias e/ ou projetos com benefícios ambientais de longo prazo".

Uma área que poderia se beneficiar de projetos de redução de gases é a de resíduos sólidos, mas, segundo o texto, o panorama do setor no país é "preocupante" e há "carência de investimentos". O Ipea lembra que quase 60% dos municípios brasileiros ainda descarta seus resíduos em aterros a céu aberto, o que acarreta problemas de saúde para populações locais.

Investimento no setor seria uma "opção interessante", segundo o relatório. Atualmente, projetos relacionados a aterros sanitários respondem por 9% do total no Brasil, mas geram 24% das reduções por conta de sua elevada eficiência.

Fonte: GazetaWeb.

24 de fevereiro de 2011

IV Conferência Regional Sobre Mudanças Globais: O Plano Brasileiro Para Um Futuro Sustentável

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) anunciou, no seu quarto Relatório de Avaliação (AR4) em 2007, que o aquecimento do sistema climático é inequívoco, como ficou evidente pelas observações dos aumentos das temperaturas médias globais da atmosfera e dos oceanos, da aceleração do derretimento da neve e do gelo, e da elevação do nível médio do mar. O aumento da temperatura média global do planeta, em relação ao nível médio de temperatura anterior à Revolução Industrial, é apontado pelo IPCC como uma consequência do aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE)  de origem antrópica na atmosfera. O IPCC também indica que o acréscimo global da concentração de dióxido de carbono se deve primeiramente ao uso de combustíveis fósseis e à mudança do uso da terra, enquanto que os acréscimos devidos ao metano e ao óxido nitroso são resultantes da agricultura.

A contínua emissão desses gases e a manutenção do desmatamento no século XXI, nas mesmas taxas que atualmente, têm potencial para causar mais aquecimento e levar às mudanças climáticas globais que serão muito provavelmente maiores que as observadas no século XX. O IPCC também afirma que é muito provável que os eventos climáticos extremos (ondas de calor, secas, enchentes) serão mais freqüentes no futuro próximo

Pesquisadores de todo o mundo tentam entender há muitos anos o impacto que as mudanças globais causam, examinando esta questão em seus mais variados aspectos: ar, solo, água, economia, áreas de risco à ocupação humana, entre outros. Mas, mesmo após tantos esforços, o nível de conhecimento obtido ainda é incompleto, sobretudo com relação aos impactos regionais do aquecimento devido ao aumento da concentração de gases de efeito estufa e com relação aos mecanismos de mitigação das emissões desses gases. As soluções apresentadas para os problemas decorrentes dessas mudanças climáticas e a busca por oportunidades no processo de adaptação e mitigação ainda requerem muitos estudos. Atualmente foram implantadas no Brasil, diversas iniciativas ligadas à temática de mudanças climáticas, como:

Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas (Rede CLIMA)

A Rede Clima foi instituída pelo Ministério da ciência e Tecnologia no final de 2007 e iniciou suas atividades em 2009. Ela tem como objetivo principal gerar e disseminar conhecimentos científicos para que o Brasil possa responder aos desafios representados pelas causas e efeitos das mudanças climáticas globais. Está constituída atualmente em 10 subredes temáticas: biodiversidade; recursos hídricos; energias renováveis; saúde; agricultura; cidades; modelagem climática; zonas costeiras; desenvolvimento regional; economia. Envolve mais de 70 instituições de pesquisa em todo o Brasil

Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas

O INCT visa implantar e desenvolver uma abrangente rede de pesquisas interdisciplinares em mudanças climáticas. Contando com a cooperação de vários grupos de pesquisa do Brasil e do exterior é a maior rede de pesquisas ambientais já desenvolvidas no Brasil. Esse INCT, em estreita parceria com a Rede CLIMA e com programas estaduais e internacionais de pesquisas em mudanças climáticas, constitui-se em fundamental pilar de apoio às atividades de Pesquisa e Desenvolvimento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas. Participam deste INCT mais de 80 instituições nacionais e 15 estrangeiras, abarcando mais de 400 participantes.

Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais - IVIG/COPPE/UFRJ

O IVIG, criado em 1999 e o primeiro deste tipo na América do Sul, desenvolve estudos e pesquisas em três grandes áreas interligadas e relacionadas às transformações globais: Mudanças Climáticas Globais, Mudanças de Paradigmas e Inovações Tecnológicas e Mudanças Institucionais no Setor de Energia. Trata-se de uma instituição virtual, multidisciplinar, que opera em rede com grupos, articulando pesquisadores, governo, empresas e instituições internacionais. É um sistema brasileiro integrador de inteligências e conhecimentos e acolhedor da experiência internacional e também um fórum de debate sobre questões estratégicas.

O Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais

Em agosto de 2008 foi lançado o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) que tem como objetivo avançar o conhecimento sobre as mudanças climáticas globais, de modo que as pesquisas auxiliem na tomada de decisões que sejam amparadas por resultados científicos no que diz respeito às avaliações de risco e às estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas globais. O Programa conta com componente de pesquisa tecnológico, observacional e sobre a interface de ciência e política climática.

Rede de Mudanças Climáticas USP - ReMClim

Lançada em 2008, pela Pró-Reitoria de Pesquisas da Universidade de São Paulo (USP), a rede temática de pesquisa voltada à área de Mudanças Climáticas (ReMClim) tem o objetivo de integrar os trabalhos que já estão em desenvolvimento nesta temática, nas várias áreas do conhecimento, em suas Unidades, bem como organizar futuros projetos de pesquisa. Além disso, a rede é aberta, também, a pesquisadores de fora da USP, já que o tema exige abordagem ampla, interdisciplinar e interinstitucional. A rede será abrigada no Centro de Estudos do Clima e Ambientes Sustentáveis (CECAS) em construção na USP, São Paulo.

Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera

Com sede na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi instituído pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. O INCT da Criosfera tem como objetivo a investigação do papel da massa de gelo planetária no sistema ambiental. As ações são concentradas na Antártica e no Andes, envolvendo pesquisas sobre o impacto das mudanças do clima nas geleiras e consequências para o nível do mar, o papel do gelo no sistema climático e a reconstrução paleoclimática e da química da atmosfera a partir de testemunhos de gelo. Este INCT, em estreita parceria com a Rede CLIMA e com INCT para Mudanças Climáticas é responsável pelo estudo dos impactos das mudanças do clima nas regiões polares e as consequências para o pais.

Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – PBMC

Lançado em novembro de 2009 pelos Ministérios de Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente é uma das ações previstas no eixo de Pesquisa e Desenvolvimento do Plano Nacional sobre Mudança do Clima. Iniciativa inspirada no Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima da ONU (IPCC), o PBMC propõe uma avaliação integrada e objetiva acerca do conhecimento técnico e científico produzido no Brasil e no exterior, sobre causas, efeitos e projeções relacionadas às mudanças climáticas relevantes para o país, incluindo os aspectos de adaptação e mitigação, e disponibilizando essas informações aos tomadores de decisão e à sociedade em geral.

Neste contexto o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, a Rede Clima, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Mudanças Climáticas e a Academia Brasileira de Ciências pretendem, com a realização da IV CONFERÊNCIA REGIONAL SOBRE MUDANÇAS GLOBAIS: O PLANO BRASILEIRO PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL – 4CRMG, entre os dias 04 e 07 de abril de 2011, contribuir com o aprimoramento do Plano Brasileiro de Mudanças Climáticas, reunindo todos os atores envolvidos com a questão – da academia, do setor privado e da sociedade civil - na busca de entendimento e estabelecimento de sinergias e parcerias para obter soluções científicas, tecnológicas e economicamente sustentáveis e socialmente corretas para esse grande desafio.

21 de fevereiro de 2011

Estudo avalia impacto das emissões de gases no preparo do solo em culturas de cana-de-açúcar

Por Danielle Jordan *Com informações da Esalq.

                                                                                  Foto: IPVES.

Um estudo desenvolvido na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Esalq, avaliou o impacto ambiental a partir do preparo do solo para o plantio de cana-de-açúcar.
A cultura continua em crescimento no Brasil para a fabricação do etanol, sendo que o país é o maior exportador do produto.
Segundo a agroecóloga formada pela Universidad de la Amazônia (Colombia), Adriana Silva-Olaya, hoje metade da área total de cana é colhida mecanicamente, o que evita emissões a partir da queima da biomassa vegetal e favorece o incremento no estoque de carbono do solo.
As informações fazem parte do estudo “Emissões de dióxido de carbono após diferentes sistemas de preparo do solo na cultura da cana-de-açúcar”, que fez parte da dissertação de mestrado de Adriana, pelo programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas e revela que o cultivo do solo com tecnologia de aração e outros procedimentos permite maior mineralização do carbono orgânico no solo e incrementa as emissões de CO2.
“Diante dessa situação, esse estudo se propôs quantificar as emissões de CO2 derivadas de três sistemas de preparo do solo utilizados durante a reforma dos canaviais no estado de São Paulo, assim como avaliar a influência da palha nesses processos de emissão”, explicou a pesquisadora.
Para o monitoramento das emissões foi utilizada uma câmera que coleta e analisa o fluxo de CO2, com análises no dia anterior ao preparo do solo e após a passagem dos implementos.
As conclusões apontaram que o preparo convencional apresentou emissão acumulada entre 34% e 39% acima do valor encontrado no preparo semireduzido e preparo mínimo.
“A seleção de práticas de manejo sustentáveis que permitam aumentar o sequestro de carbono, melhorar a qualidade do solo e ajudar a minimizar a emissão de CO2 dos solos agrícolas, contribui para a redução do valor da pegada de carbono do etanol (footprint), aumentando consequentemente o benefício ambiental da substituição do combustível fóssil com este biocombustível”, concluiu a pesquisadora.


Fonte: Ambiente Brasil

17 de fevereiro de 2011

Gestão de resíduos ajuda a reduzir emissões de CO2


Um agricultor indiano pesa os resíduos da colheita, antes que 
sejam usados para produção de bionergia

Restos de plantas, madeira e outros materiais orgânicos – que compõem a chamada biomassa – são combustíveis ecologicamente corretos. Mas qual é realmente o seu potencial de geração de energia?

No estado de Uttarakhand, no norte na Índia, combustíveis ecologicamente corretos estão à disposição pelas ruas: folhas de pinheiros, em forma de agulhas. O clima ameno – nem muito quente, nem muito frio – é ideal para os pinheiros.

Quando chega a época do ano em que as árvores perdem suas folhas, todo o chão fica coberto. Estas "agulhas" secas são ideais para serem transformados em briquetes, queimados depois como combustível.
A utilização da biomassa – como a proveniente das "agulhas" dos pinheiros indianos – é uma maneira de produzir energia sem prejudicar o meio ambiente. Ela reduz o uso de combustíveis fósseis como o carvão e as emissões de gases estufa.
Biomassa: restos valiosos - A canola é utilizada para a produção de energia, 
mas disputa espaço com grãos alimentícios

A biomassa compreende tanto plantas oleaginosas, como a canola e o milho, como também madeira, folhas secas e palha. Resíduos orgânicos – sejam da agricultura ou da cozinha – são igualmente biomassa e utilizados para a obtenção de energia através da incineração.
Durante a geração de energia, a biomassa apresenta um comportamento neutro com relação ao gás carbônico. O dióxido de carbono absorvido durante o crescimento da planta é liberado durante a queima, não alterando o balanço de carbono.
Tal processo também acontece com as folhas dos pinheiros indianos: durante a queima, elas só liberam o carbono que as árvores absorveram do solo ou da atmosfera durante o crescimento. Se as folhas se decompuserem naturalmente ou forem queimadas, a quantidade de gás carbônico emitido será a mesma.
Com petróleo e carvão ocorre algo diferente. O dióxido de carbono contido nestes combustíveis fósseis permaneceu milhões de anos sob a terra. O gás carbônico liberado durante sua queima provoca um desequilíbrio no ciclo natural do carbono.
Outra vantagem da biomassa é ser uma matéria-prima renovável disponível periodicamente, durante o período da colheita.
Potencial limitado
Especialistas afirmam que o potencial da biomassa para a obtenção de energia é limitado, sendo suficiente para suprir apenas 10 a 15% das necessidades energéticas do planeta. É o que afirma a engenheira Daniela Thrän, diretora do setor de pesquisa em sistemas de bioenergia do Centro Alemão de Pesquisa em Biomassa e porta-voz da divisão de bionergia do Centro Helmoltz para Pesquisa Ambiental em Leipzig.
Para Thrän, há um grande potencial para biomassa no Leste europeu, na América do Sul, na Austrália e na América do Norte. Nestas regiões há muita área disponível para um número relativamente pequeno de habitantes, o que possibilita cultivar, sem concorrência entre si, alimentos para a população e plantas para a produção de biomassa.
Por outro lado, regiões densamente povoadas como o sudeste asiático têm um potencial pequeno para a produção de biomassa, lembra Thrän. Já a África não é tão povoada e possui muitas terras cultiváveis, apropriadas para a produção de plantas destinadas à geração de energia. Mas a produção agrícola é muito pequena no continente e não há previsão de melhora. Por isso, Thrän acredita que, para os próximos 20 anos, não se pode esperar um aumento do potencial da biomassa na África, pois concorreria com a produção de alimentos.

Bioenergia a partir de folhas de pinheiros facilita o trabalho em olarias do norte da Índia:
 os briquetes não poluem tanto quanto o carvão e pesam menos

Os conflitos gerados pelo tema ficaram claros em 2007, durante do debate "combustível versus alimento", na Alemanha. Naquele período, a crescente demanda mundial por "plantas energéticas" fez com que subissem os preços do trigo, do milho e do arroz. Os alimentos também encareceram nos países pobres. A opinião pública começou a debater sobre o sentido de transformar grãos comestíveis em biocombustíveis para movimentar automóveis.
Energia sempre disponível
Para a engenheira Thrän, uma grande vantagem da biomassa é armazenar energia, que – diferentemente da solar ou eólica – permanece sempre disponível. "A tendência é que, no futuro, a bioenergia complemente a solar e a eólica", afirma Thrän. "Quando não há vento, é possível compensar com a bioenergia."
Futuramente, a biomassa poderia ser utilizada no lugar de combustíveis fósseis, que não podem ser substituídos por energias renováveis – como o querosene, por exemplo.
Energia a partir de resíduos. O mais conhecido exemplo de biomassa: 
folhas e galhos transformados em briquetes.

Bernd Bilitewski, diretor do Instituto de Gestão de Resíduos da Universidade Técnica de Dresden, afirma que há um potencial inexplorado da biomassa em outras áreas. Na Alemanha, por exemplo, 12 milhões de toneladas de resíduos orgânicos são eliminados a cada ano, apesar de serem apropriados para a geração de bioenergia.
"A utilização destes resíduos precisa ser ampliada, antes que recorramos a outros produtos concorrentes." Além disso, há áreas agrícolas inadequadas para o cultivo de alimentos, mas ideais para plantas destinadas à produção de biomassa. Isto inclui espaços antes utilizados para mineração ou poluídos pela indústria, sugere.
Na Alemanha, praticamente não há mais unidades de incineração de resíduos que não utilizem de alguma maneira a energia gerada. Mas, para Bilitewski, seria possível usar essas fontes de bioenergia de forma ainda mais eficiente.
Bilitewski considera infundada a preocupação com a emissão de gases tóxicos durante a incineração dos resíduos. As regulamentações e controles do processo seriam tão rígidos e a técnica tão sofisticada, que nenhuma substância tóxica poderia ser liberada no ar.
O setor de gestão de resíduos é um dos maiores responsáveis pela redução das emissões de dióxido de carbono na Alemanha. Quase um quinto da meta estabelecida pela Alemanha no Protocolo de Kyoto será conseguido pelo setor.
Autor: Martin Schrader (lpf)
Revisão: Roselaine Wandscheer

Fonte: Dw-world




14 de fevereiro de 2011

Mudanças climáticas devem provocar migração inédita na Ásia-Pacífico

Foto Crédito: Tim McKulka/UN 

Um número sem precedentes de pessoas da região da Ásia-Pacífico estão sujeitas a deslocamentos forçados em razão de enchentes, tempestades e outros impactos das mudanças climáticas, segundo relatório do Banco de Desenvolvimento Asiático (BDA) divulgado nesta semana.


O banco e os climatologistas afirmaram que a região, que abriga 4 bilhões de pessoas, estará entre as mais afetadas pelos impactos das mudanças climáticas, que levará a uma migração tanto dentro dos países, como entre as nações, sobrecarregando os recursos.


O relatório preliminar intitulado Migração em razão das mudanças climáticas exige atenção também destaca que nenhum mecanismo internacional foi criado para controlar a movimentação forçada de milhões de pessoas. “Os esquemas de proteção e assistência permanecem inadequados, mal coordenados e escassos. Os governos nacionais e a comunidade internacional precisam tratar dessa questão urgentemente de maneira proativa”, ressalta o documento.


Não adotar medidas emergenciais poderia resultar em desastres humanitários, concluiu o relatório. O documento, feito para as autoridades, examinou as ameaças climáticas e a natureza complexa das migrações. Uma das conclusões aponta que as mudanças climáticas são apenas um de diversos gatilhos, que incluem ainda um número cada vez maior de pessoas que buscam emprego nas cidades.


O documento apontou os impactos, tais como temperaturas mais elevadas, mudança nos padrões de chuva, maior variabilidade das monções, elevação do nível dos oceanos, enchentes e ciclones tropicais mais intensos.


As inundações de 2010 no Paquistão provocaram o deslocamento temporário ou permanente de milhões de pessoas. O Sri Lanka passa agora pela segunda onda de enchentes no país em menos de um mês, que ameaça até 90% da produção de arroz. Mais de 250 mil pessoas buscam refúgio em abrigos temporários.


“O Pacífico é especialmente vulnerável por causa de seu alto grau de exposição a riscos ambientais e da alta densidade populacional. Como resultado, ele poderá passar por deslocamentos de populações em uma escala sem precedentes nas próximas décadas”, alerta o relatório do BDA.


Com informações da Reuters

10 de fevereiro de 2011

Árvores mostram relação entre clima e grandes acontecimentos

Os anéis de árvores antigas revelam a relação entre as mudanças climáticas e os grandes acontecimentos da humanidade, como migrações, pragas e surgimento ou queda de impérios, revela um estudo publicado na revista "Science".

Temperaturas amenas e úmidas correspondem a tempos de prosperidade no Império Romano e na Idade Média, enquanto períodos de seca e frio coincidem com migrações em massa, afirma o estudo liderado por Ulf Buntgen, do Instituto Federal Suíço de Pesquisas Florestais, Neve e Paisagens (Swiss Federal Research Institute for Forest, Snow and Landscape).

                                                                 Foto: Instituto-camoes



Os pesquisadores analisaram mais de 7.200 fósseis de árvores dos últimos 2.500 anos, verificando as alterações nos anéis, que são um retrato do clima (úmido ou seco) no passado.

"O início e a queda de civilizações passadas estão ligados a mudanças ambientais, principalmente aos efeitos do acesso à água e à produção agrícola, à saúde humana e aos conflitos civis", destaca o estudo.

"Variações climáticas intensas (...) coincidem com o fim do Império Romano do Ocidente e com um intenso período migratório", destaca o estudo.

Os pesquisadores também basearam sua análise na intensidade do corte das árvores.

"Um maior volume de corte de madeira para construção está associado a maior colheita e à consolidação social-econômica do século 6º ao 9º", segundo o estudo.



7 de fevereiro de 2011

Eficiência energética: mais espaço para solar



Considerar o uso da fonte solar, tanto para o aquecimento de água, como para a geração alternativa de energia elétrica. Esta é uma das propostas que a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) enviou ao Ministério de Minas e Energia (MME) como contribuição à minuta do Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf), que o governo pretende lançar ainda no primeiro semestre deste ano. Em janeiro, a entidade instalou o Grupo Setorial de Sistemas Fotovoltaicos com o objetivo de incrementar a cadeia produtiva da geração solar fotovoltaica.
No caso do uso da energia solar para aquecimento de água, a Abineee propõe a revisão do texto considerando uma opção tecnológica mais moderna e mais viável, que é o chuveiro híbrido solar (união do chuveiro elétrico com o aquecedor solar, sem fonte de aquecimento no reservatório de água). A Abinee usou como base estudo elaborado pelo CIRRA (Centro Internacional de Referência em Reuso de Água), entidade vinculada à Escola Politécnica da USP, que coloca o sistema híbrido como a opção mais econômica, quando levado em consideração os gastos com energia elétrica e água.
Para a geração alternativa a partir da fonte solar, a proposta da Abinee é para destacar as opções de geração distribuída existentes, em especial, a partir de soluções fotovoltaicas. No quesito eficiência energética, a associação defende que os programas Procel e Conpet tenham fontes de recursos dimensionadas. Veja abaixo as outras propostas da Abinee:
- possibilitar maior participação das indústrias na utilização dos recursos destinados para Pesquisa e Desenvolvimento, em especial, quando em projetos de eficiência energética;
- inserir os conceitos básicos de eficiência energética na formação dos professores de ensino fundamental e do ensino médio, bem como, nos currículos das disciplinas de ciências, em especial, dentro dos temas ligados ao meio ambiente;
- inserir nas licitações públicas a questão da sustentabilidade (como já definido em Instrução Normativa do Ministério de Planejamento e Orçamento) e seus requisitos de eficiência energética, por meio da utilização de produtos referenciados nos programas (ex: Procel, Conpet, PBE entre outros) contemplados no Plano Nacional de Eficiência Energética;
- consolidar metodologia de avaliação dos resultados das ações de eficiência, para harmonizar procedimentos e permitir que os usuários possam avaliar as soluções contratadas e utilizar o MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (compra e venda de crédito de carbono).

3 de fevereiro de 2011

Sessão climática extra da ONU é marcada para abril na Tailândia

Negociadores climáticos de quase 200 países farão uma sessão extra em Bangcoc, na Tailândia, para tentar desbloquear os trabalhos sobre um pacto sucessor ao Protocolo de Kyoto, visando desacelerar o aquecimento global. A reunião será em abril.

Os negociadores dizem que 2011 provavelmente marcará uma redução no número total de reuniões da ONU sobre o clima, depois de uma série de encontros desde 2007 não ter resultado na assinatura de um tratado.

"A sessão acontecerá em Bangcoc entre 3 e 8 de abril", disse um representante que participou de uma videoconferência nesta semana. O encontro em Bangcoc reunirá negociadores governamentais de alto escalão.

A reunião soma-se à programação já existente, que prevê uma sessão em junho em Bonn, na Alemanha, e conversações anuais entre ministros do Meio Ambiente em Durban, África do Sul, no final de 2011. É provável que seja acrescentada outra sessão entre Bonn e Durban.

No México, em dezembro de 2010, os ministros acordaram passos que incluem um pacto para a criação de um novo fundo para canalizar ajuda a países em desenvolvimento, além da meta de limitar qualquer alta na temperatura para menos de dois graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Os representantes dizem que os encontros de 2011 vão completar os detalhes de muitos desses planos, entre eles cortes nos gases estufa que visam ajudar a evitar mais enchentes, ondas de calor, estiagens e alta nos níveis do mar previstos pelo painel de especialistas climáticos da ONU.

A maior questão não resolvida é encontrar um sucessor do Protocolo de Kyoto, que obriga quase 40 países desenvolvidos a reduzir suas emissões de gases estufa em pelo menos 5,2% abaixo dos níveis de 1990 até 2020, durante o período de 2008 e 2012.